sexta-feira, 26 de julho de 2013

Gentileza não dói e faz bem*

Posso dizer que, para mim, hoje foi um dos melhores começos de dia dos últimos tempos. Não é uma data especial, dormi pouco, como de costume, e muito menos ganhei na Mega Sena (apesar de alimentar esse desejo, ainda mais se ela estiver acumulada). Então, qual a novidade? Faixa de pedestre. É, isso mesmo. Faixa de pedestre. A caminho da faculdade, parei o carro para que uma senhora, acompanhada de seus dois filhos pudessem atravessar a rua.

Confesso que não é um gesto habitual (meu e da maioria dos motoristas), mas a pequena resposta foi bastante gratificante. Daquela mãe, que provavelmente levava os filhos à escola, um sorriso sincero. De uma das crianças, a mão estendida com o polegar levantado – em tempos de incontáveis “likes” no Facebook, esse gesto na vida real é algo realmente valioso –, agradecendo a gentileza.

Refletir sobre algo que pode ser considerado pequeno e corriqueiro é bastante subjetivo, às vezes demanda tempo e talvez nem todos compreendam meu ponto de vista. Porém, coisas como essa são capazes de mudar nosso dia.

No meu Facebook, por exemplo, uma garota me deseja todos os dias, impreterivelmente, “bom dia”. E não é aquele “bom dia” seco, de elevador, de corredor. É um “bom dia” com sustança, “repleto de coisas boas”, “com muitas conquistas”, “iluminado por Deus” e assim vai. Detalhe: não a conheço e não sei por que a tenho adicionada no meu perfil. Um (agradável) acaso.

Outro exemplo: não consigo achar normal quando algum infeliz vem pedir um “trocado” no sinal e considerado invisível pelo motorista. Do alto do seu reino de ar-condicionado, o condutor olha solenemente para frente, ignorando que ali, batendo na sua janela, existe um ser humano. Não precisa nem um gesto de simpatia, um sorriso ou uma palavra amiga.

Não faça questão de cavar mais o buraco de quem já está no fundo do poço. Isso é triste, desumano. Guarde seu dinheiro, só Deus sabe o quanto você trabalha para ganhá-lo, mas pelo menos olhe para quem já está numa situação humilhante.

Acredito, sinceramente, que pensamentos bons atraem coisas boas. E me desculpe, caro leitor, se achar que isso é piegas ou que saiu de um daqueles livros fajutos de autoajuda. Porém, vivendo em um mundo cada vez mais egoísta e sufocados por uma rígida rotina, nos acostumamos a olhar somente para dentro de nos mesmos.

O individualismo nos corrói. Sou o único a ter pressa. Sou o único que precisa trabalhar. Sou o único que acorda cedo. Sou o único que deve ser feliz. Sou o único que merece ser respeitado. Sou o único. Somos?

Desejo, enfim, que nossos dias possam começar de forma melhor. Que a nossa visão seja ampla, para o mundo, e não somente para dentro de nos mesmos. Que as nossas mesas de café da manhã sejam completas, com fatias de humildade e doses de humanidade.

* Texto publicado originalmente no portal Jovens Jornalistas, da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da UFG.

3 comentários:

  1. Muito, muito bom, querido! Parabéns, continue a nos presentear com seus textos! Bjs :-D

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    1. Muito obrigado, Kátia! Presente é ter você como leitora. Grande beijo.

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  2. Estou orgulhosa, não só pelo fato de você ser um escritor maravilhoso, mas pelos valores humanos que são intrínsecos em você, meu filho! Isso é gratificante, para uma mãe. Que Deus lhe abençoe e que você continue brilhando sempre! Te amo!

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