domingo, 14 de julho de 2013

Baseado em fatos imaginários

Certo dia, Dáblio, primo de Jota, foi convidado por Éme para ir numa famosa boate sertaneja da capital. Dáblio é um sujeito esperto e conheceu Éme por causa de seu primo. Aceitou o convite e, todo cheio de si, não ficou contente em ir sozinho. Acabou chamando outro amigo - ou cúmplice -, que de tão desimportante, nem nome tem. Mas Dáblio é daqueles que nunca comeu melado, então, quando come... Fazendo cortesia com o chapéu alheio, acabou chamando também uma patota de meninas desajustadas, de gordinha à nariz de batata.

Aproximando-se a hora do frevo, Dáblio passou seu perfume barato, fez um ninho de passarinho na cabeça, e "hashtag partiu". Chegando lá, mais entontecido pelo deslumbre do ambiente nada familiar do que pela bebida que ainda não tomara, começou a cometer devaneios. De uma hora para outra, enriqueceu e virou o "patrão da balada". Whisky, água de coco e até um tal de "tanto faz" que não havia no cardápio: pediu e bebeu de tudo. Mas só isso não bastava, era preciso agradar seu pequeno harém. Fosse rechonchuda ou nariguda, matou a sede de todas elas.

Porém, a certa altura, o castelo de cartas começou a ruir. Num lapso de lucidez, atentou-se para o fato de que não havia "crébito" nos mirrados cartões magnéticos para o pagamento da estrondosa fatura. O sorriso sincero e amarelo foi substituído por uma cara de bosta rala. Triste fim. E agora? Apanhar dos seguranças? Lavar os copos? Não! Havia uma solução mais eficaz e coerente com seu parco caráter. Sem hesitar, chamou Éme (aquele, querido leitor, do começo da história, que acreditando numa suposta amizade, fez o tão trágico convite).

"Meu parceeeeeeiro", conclamou, "preciso de sua ajuda". Bêbado e estranhando a situação, Éme sacou um surrado cartão do bolso. Cambaleando, digitou uma senha e salvou a pele de Dáblio. Lemboru-se da burrada só no outro dia, quando em meio à uma ressaca, acordou com o comprovante na mão. A partir daquele momento, a saga começou a ser outra: já avisado de algumas atitudes malandrísticas do suposto amigo, Éme conseguiria ressarcir-se do prejuízo? Cenas do próximo capítulo.

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