domingo, 17 de agosto de 2014

Oração

Você me conhece. Sabe dos meus choros e dos meus sorrisos, da alegria mascarada e da tristeza escondida. Sabe ainda que não desisto dessa mania feia de querer abraçar o mundo e o quanto isso complica a minha vida.

Mas, hoje, tenho um pedido especial. Que o grito se cale, que a mão se abaixe, que os ouvidos se abram e o coração perdoe. Não em vão como outrora, mas de forma serena... para sempre. Mesmo que o sempre não exista mais.

A lembrança do dedo em riste e da palavra dolorosa merece ir para o limbo do esquecimento, assim como a ternura dos bons momentos precisa ser preservada na memória dos protagonistas. A importância dos fatos é proporcional à saudade do que ainda não se foi (ou está indo).

Os caminhos a serem percorridos? Difícil dizer. Falta coragem de ambas as partes para reconhecer o fracasso momentâneo, mas voltar atrás é postergar a solução. Não. Não é tentativa em vão, recomeço reprisado que vão resolver alguma coisa.

É respiração profunda para se pensar. Tempo para ver o mundo e nos enxergar nessa visão embaçada pelo nevoeiro do inexplicável. Talvez assim - ou só assim - hajam dias melhores para se viver. Juntos ou juntos.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Liberdade: você pode ver a sua?


Durante mais ou menos duas semanas, bem no começo do dia, um outdoor na entrada da faculdade me instigava. Ele trazia a seguinte mensagem: "Liberdade: você pode ver a sua?". Nunca descobri ao certo a quê aquela mensagem se referia, mas me fez refletir. Hoje, após uma postagem sincera e polêmica no Facebook, chego a algumas constatações.

A primeira delas é que liberdade tem seu preço. E ele é muitíssimo caro. A moeda? Para comprá-la, os torpes utilizam vil metal. Para mantê-la, os justos usam apenas a coragem. A segunda certeza é de que com sua voz e suas palavras, é possível abrir e fechar portas, clarear e escurecer caminhos.

Infelizmente, algumas pessoas escolhem se abster de si mesmos, negar suas vontades e opiniões, para sustentar algo artificial, perecível, momentâneo. É evidente que colocar as coisas na balança e ter equilíbrio nas nossas ações cotidianas é algo "sine qua non" para a manutenção do bem estar. O problema é que, em nome de uma intenção de agradar a todos, corremos o risco de sermos genéricos, sem identidade, sem formação e posicionamento. Seres de gôndolas, mercadorias.

Por fim, a terceira constatação (e que me consola): com preço, não somos sujeitos respeitados. No máximo, "desejados", e olhe lá! Já com valor - e valores -, por mais que discordem de nos, por mais polêmica que gere nossa opinião, por mais que alguns pontos sejam mal interpretados, teremos, acima disso tudo, uma ponta de admiração. De pelo menos um maluco por aí.

O fato é que tudo se resume a uma questão de escolha, estradas de sentido único onde não se pode voltar atrás. Eu já escolhi o meu lado: o da consciência limpa. E, por ele, pago o preço que for necessário.

domingo, 22 de setembro de 2013

O tempo certo para ser feliz


Tenho andado meio sumido daqui, confesso. Por motivos de força maior, confesso duplamente. A rotina nos corrói, o estresse nos cega e o cansaço entedia. Comecei um texto, parei. Comecei outro, apaguei. As ideias fugiram e nada realmente saiu do “papel”. Mas, agora, nessa noite de domingo, as coisas começam a entrar nos eixos. Fiz a melhor playlist do mundo (tem de Zé Ramalho a Pitty), coloquei pra rodar, sentei em frente ao computador. Encarando-o, escrevo. E quero escrever justamente sobre essa dificuldade que temos em atender aos nossos próprios anseios.

Lulu Santos – que também está na playlist – canta, em “Certas coisas”, que “somos medo e desejo”. Medo de ousar, de chocar, de errar, de fazer diferente. Desejo... desejo... desejos. Vários. Diferentes. Curiosos. Desejos. E é nessa mistura entre um sentimento aprisionador e uma série de vontades e quereres, que criamos nossas máscaras cotidianas. Máscaras, muitas vezes, que não caem. Eternas. Que fazem você perder a hora de ser feliz.

Nunca soube (e nem quero aprender) respeitar o “tempo certo das coisas”. Sempre fui uma criança adulta, com atitudes não muito compatíveis com a minha idade documental. A idade mental é uma década a frente. Acho que isso explica os cabelos brancos no auge dos meus vinte anos. Mas valeu e vale a pena. Tenho muitos orgulhos e satisfações – que, sim, me fizeram abrir mão de uma série de coisas – da casa dos trinta. E no futuro: um adulto criança?

Está faltando coesão e as ideias estão muito desconexas, mas dá pra você pegar o “fio da meada” aqui nessa bagunça, não dá? Não vou reler, nem repensar, pois assim apago tudo e (não) começo de novo. Talvez os motivos que me afastaram desse “livro aberto” não eram de tanta força maior. Passo a crer que o tempo certo para ser feliz é ontem. Cabe a nos corrermos atrás dele.